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Quando a gente se apaixona pelo cara errado, parte final 27 de fevereiro de 2013

Posted by Cássia Alves in Crônica, Personal.
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(veja a parte 1 e a parte 2 🙂 )

Ele se separou de mim, pediu um tempo. Eu não tive o que fazer, disse que sim… e apelei para a amizade. Que fosse o único modo da gente continuar a se ver. Assim, a gente se viu e ficou pela última vez. Com uma cerveja, no bar do lado de casa e terminando uma noite triste. Chorei, aquele dia. Porque sabia que tinha acabado.

Ou não.

Dias depois, fui trabalhar, tentar continuar a minha vida. Meu celular toca, de um número que não conhecia. Atendi. Não deveria.

Fui xingada, humilhada, mal tratada. Por ela. A noiva. Que tinha sido igualmente mal tratada, e claro, colocou a culpa em mim, o modo mais fácil – a ameaça ao lindo e perfeito relacionamento que eles tinham. Nem importava a tal briga que eles tinham tido no dia anterior à noite em que nos conhecemos. Eu era a  “vagabunda” que tinha acabado com uma linda história de amor.

O que mais me deixa perplexa quando lembro disso é a falta de amor próprio. Minha e dela. Isso não acabou por aí – eu ainda mandei muitos e-mails, xingando-o e tentando segurar um contato que não deveria ter existido. Mensagens bobas e que eu me arrependo um pouco de ter mandado – claro, se isso não tivesse me ajudado a crescer emocionalmente. E aí surgiu a frase que começou essa história. Em uma das milhões de formas de tentar me afastar dele, ele disse que tudo aquilo não tinha sido nada além de uma aventura e que era melhor não nos falarmos nunca mais.

A falta de amor próprio dela foi tentar entender essa traição: criou um MSN falso para que eu pudesse adicioná-la e quis saber detalhes do meu envolvimento com ele. Contei. Naquele estágio, não sentia mais nenhuma obrigação em guardar aquilo comigo, nem preservá-la de nada. Eles voltaram, pelo que soube um tempo depois. Ele retribuiu a humilhação que a tinha submetido, foi atrás dela – tudo aquilo que eu queria que ele tivesse feito por mim. Mas era óbvio. Ele a amava.

Depois de um tempo, tudo foi passando. Ali aprendi realmente que nada como o tempo para curar um amor não correspondido. Até que eu tive outros grandes amores e mesmo depois dele voltar a me procurar, apenas para que tivesse o ego massageado, ele percebeu que eu não estava mais ali para retribuir um sentimento que já tinha morrido.

Isso me provou situações bizarras podem mudar bastante nossa perspectiva diante das coisas. Me fez entender que eu tenho muito mais valor do que eu poderia imaginar e às vezes, as coisas simplesmente não dão certo, porque não é pra ser. Mas claro, tudo isso não me impediu de continuar a amar! ❤

Quando a gente se apaixona pelo cara errado, parte 2 26 de fevereiro de 2013

Posted by Cássia Alves in Crônica, Personal.
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(Veja a parte 1 aqui)

E assim, pelo MSN, a gente foi se conhecendo. Aquele misto de curiosidade e mistério e vontade… e a gente marcou de se ver de novo. Fui lá pagar mico ao jogar boliche pela primeira vez. E minha amiga ia nos salvar, com um encontro duplo – aquele tipo de coisa que as amigas fazem pelas outras.

A gente se encontrou, se viu, se encantou de novo. Um segundo encontro com o mesmo encanto do primeiro. Fui mergulhando nesse encanto e comecei a ter certeza de que poderia me apaixonar por ele. E assim foi, por três semanas: o tempo em que tive um relacionamento feliz e que parecia promissor. Estava feliz com a possibilidade gostar de alguém e estar sendo correspondida naquele nível – consegui me imaginar tendo um relacionamento de gente adulta, no alto do que meus 20 anos poderiam me fazer acreditar no que seria um relacionamento maduro.

Mas claro, não era. E por incrível que pareça, não por culpa minha. Talvez, uma parcela de culpa por ter mergulhado tanto e em tão pouco tempo. Não tive muito o que fazer, também. Quando alguém aparece na sua vida, olhando dentro dos seus olhos e te prometendo uma felicidade simples, você só consegue se jogar.

Do dia para a noite, tudo desmoronou. De um encontro num show e um pedido para “darmos um tempo”, uma mensagem perdida na Internet de uma moça que se auto-entitulava “noiva”, de uma série de mensagens do Universo que me avisavam para cair fora mais do que depressa, eu só tentava entender o que se passava.

Até eu descobrir, por um acaso que minha memória não consegue mais distinguir no meio de tanta lembrança, que ele era realmente noivo da tal moça. Há seis anos. E de aliança e tudo. Aliança jogada fora horas antes daquele primeiro beijo, naquela festa que hoje nem existe mais. E a partir daí a história só melhora. (Por que claro, nada como o tempo e o desapego para você entender que sim, essa história é real, mas é uma das melhores histórias do mundo).

(continua… aqui)

Quando a gente se apaixona pelo cara errado, parte 1 25 de fevereiro de 2013

Posted by Cássia Alves in Crônica, Personal.
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Essa é uma história verídica. Um amor não resolvido e que foi esquecido no passado. Relembrado pelo arquivo do Twitter com  célebre frase que compartilhei com minhas amigas e eternizada pela Internet:

“Quando o cara fala que você foi só uma aventura, você pensa: meu Deus, eu dei pro Indiana Jones!”

Seria uma balada como qualquer outra. Minha amiga quis porque quis me tirar de casa: “o lugar é do lado da sua casa, não tem porque voce não ir!” Então, vamos, né? Seria uma balada como qualquer outra…

Caprichei no look. Eu, que sou a pessoa mais descuidada do mundo. Escolhi uma saia bonita, fiz uma maquiagem leve, mas caprichadinha. Estava de bom humor, em uma época despretensiosa. E lá eu o conheci.

Vi que ele me notou logo no primeiro segundo, olhou pra mim com aquela cara de bobo que todos fazem e não conseguem disfarçar (mas sempre soam como uma expressão fofinha e que derrete o coração de qualquer uma). Nos cumprimentamos e só. Depois, ele passou boa parte da noite tentando se aproximar. Ah, esses nerds sem jeito.

Foi ao som de “Enjoy the Silence” que ele conseguiu juntar toda a coragem de chegar novamente perto de mim. A gente se olhou, e quando a música entoava “All I ever wanted, all I ever needed is here, in my arms”, ele chegou mais perto… e me beijou. E foi paixão ao primeiro beijo. Terminamos a noite com uma promessa que eu saberia dele pela minha amiga.

Não deu outra. Na segunda-feira, era difícil trabalhar sem parar a cada segundo para fofocar ou tentar descobrir uma nova informação dele. Mas minha amiga pouco sabia: ele era colega de trabalho de seu primo – conexões distantes demais. Mas ela tinha o MSN. Isso já me ajudaria pelo menos a conseguir falar com ele novamente. Olha que bonitinho. E aí, a gente começou a conversar.

(continua… aqui e aqui)

I <3 SP 12 de abril de 2012

Posted by Cássia Alves in Crônica.
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São Paulo é uma cidade foda. Esse termo mesmo, porque é pro bom e pro ruim. A cidade onde cresci, me fiz e me fez ser o que sou hoje. A cidade da “oportunidade brasileira”, que já me agrediu de várias formas e que me encanta a cada nascer e pôr-do-sol.

A cidade que a cada ano eleitoral (atenção, minha gente!), eu chego diante da urna acreditando realmente que dessa vez será diferente (because I’m a believer!). São Paulo, o lugar que eu faço trabalho voluntário para pessoas que estão à margem da oportunidade (e não que são preguiçosas) porque eu quero que tudo seja diferente.

Na capital onde tudo acontece, eu já fui ao teatro chique, ao cinema ao ar livre, bebi cerveja no boteco da esquina, gastei dinheiro na balada hype do momento, virei a noite andando de carro por aí e fugi no dia 31 de dezembro por não querer passar a virada do ano nessa selva de pedra.

Essa cidade que por vezes é tão ignorada por quem manda e por quem vive nela, ao implantar regras e leis absurdas ou ao jogar um simples papel no chão pela janela do carro ou do busão (ou uma bituca de cigarro… shame on me). A cidade que é cantada nos versos de Caetano e emociona ao cruzar a Ipiranga com a Avenida São João…

Já bebi no Bar Brahma, bati perna pela Vila Madalena, comprei roupa na Zepa, trabalhei no Itaim Bibi, ouvi o som das corridas de Interlagos (da casa dos meus pais), atravessei a balsa da represa do Guarapiranga, fui quase a São Mateus dar uma carona pra um amigo, almoçar em Guaianazes, andei de patins e joguei vôlei no Ibirapuera, fiz USP, morei em Pinheiros, andei milhões de vezes pela Paulista, fui ao teatro na Roosevel (e tomei muitas cevejas por lá), conheci o Carandiru antes da demolição, peguei trânsito na Marginal, me perdi, me achei, fui e sou feliz.

Porque São Paulo é a minha casa. E sou muito feliz aqui.

(Escrevi este texto no aniversário de São Paulo e no final não postei… mas gostei tanto dele que resolvi publicar! 🙂 )

Ponto de ônibus 26 de maio de 2010

Posted by Cássia Alves in Crônica.
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Ele, um senhor. Suas roupas de décadas passadas, uma bengala, os dentes já detonados pelo tempo, e um óculos à lá John Lennon, mesmo naquela tardar da noite.

Ela, uma jovem. Roupa social, de quem emendou um dia de trabalho à jornada da faculdade. Olheiras de cansaço, um olhar perdido de quem não quer pensar em nada depois de passar o dia pensando demais.

Ele a chamou: “Mocinha”, e ela, com medo, o ignorou. Ficou com remoroso imediatamente após. Estavam sozinhos no ponto de ônibus esperando aquele último que os conduziria a seus destinos. Ela, acostumada com a cidade fria, não soube o que fazer. Apenas se afastar.

Ele não conseguiu olhá-la mais. Abaixou a cabeça, e sacudiu-a conformado. Como se aquilo acontecesse pela enésima vez durante aquele mesmo dia. Ela olhou para trás e seus olhos encheram de lágrimas. Mas não teve coragem para voltar.

Deu um passo para trás. Viu um rapaz se aproximar do senhor. Ele pediu ajuda para indicar o ônibus, que vinha vindo. O rapaz deu sinal, o motorista esperou todos embarcarem, menos o senhor. Mais uma vez, o rosto resignado.

A moça não pôde ver se o senhor foi embora. Seu ônibus chegou, e ela resignadamente, foi para casa. Mas não sem antes olhar pela janela e desejar que ele chegasse em casa tão bem e seguramente como ela.

(Ainda com o coração apertado ao escrever isso…)

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