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I <3 SP 12 de abril de 2012

Posted by Cássia Alves in Crônica.
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São Paulo é uma cidade foda. Esse termo mesmo, porque é pro bom e pro ruim. A cidade onde cresci, me fiz e me fez ser o que sou hoje. A cidade da “oportunidade brasileira”, que já me agrediu de várias formas e que me encanta a cada nascer e pôr-do-sol.

A cidade que a cada ano eleitoral (atenção, minha gente!), eu chego diante da urna acreditando realmente que dessa vez será diferente (because I’m a believer!). São Paulo, o lugar que eu faço trabalho voluntário para pessoas que estão à margem da oportunidade (e não que são preguiçosas) porque eu quero que tudo seja diferente.

Na capital onde tudo acontece, eu já fui ao teatro chique, ao cinema ao ar livre, bebi cerveja no boteco da esquina, gastei dinheiro na balada hype do momento, virei a noite andando de carro por aí e fugi no dia 31 de dezembro por não querer passar a virada do ano nessa selva de pedra.

Essa cidade que por vezes é tão ignorada por quem manda e por quem vive nela, ao implantar regras e leis absurdas ou ao jogar um simples papel no chão pela janela do carro ou do busão (ou uma bituca de cigarro… shame on me). A cidade que é cantada nos versos de Caetano e emociona ao cruzar a Ipiranga com a Avenida São João…

Já bebi no Bar Brahma, bati perna pela Vila Madalena, comprei roupa na Zepa, trabalhei no Itaim Bibi, ouvi o som das corridas de Interlagos (da casa dos meus pais), atravessei a balsa da represa do Guarapiranga, fui quase a São Mateus dar uma carona pra um amigo, almoçar em Guaianazes, andei de patins e joguei vôlei no Ibirapuera, fiz USP, morei em Pinheiros, andei milhões de vezes pela Paulista, fui ao teatro na Roosevel (e tomei muitas cevejas por lá), conheci o Carandiru antes da demolição, peguei trânsito na Marginal, me perdi, me achei, fui e sou feliz.

Porque São Paulo é a minha casa. E sou muito feliz aqui.

(Escrevi este texto no aniversário de São Paulo e no final não postei… mas gostei tanto dele que resolvi publicar! :) )

Ponto de ônibus 26 de maio de 2010

Posted by Cássia Alves in Crônica.
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Ele, um senhor. Suas roupas de décadas passadas, uma bengala, os dentes já detonados pelo tempo, e um óculos à lá John Lennon, mesmo naquela tardar da noite.

Ela, uma jovem. Roupa social, de quem emendou um dia de trabalho à jornada da faculdade. Olheiras de cansaço, um olhar perdido de quem não quer pensar em nada depois de passar o dia pensando demais.

Ele a chamou: “Mocinha”, e ela, com medo, o ignorou. Ficou com remoroso imediatamente após. Estavam sozinhos no ponto de ônibus esperando aquele último que os conduziria a seus destinos. Ela, acostumada com a cidade fria, não soube o que fazer. Apenas se afastar.

Ele não conseguiu olhá-la mais. Abaixou a cabeça, e sacudiu-a conformado. Como se aquilo acontecesse pela enésima vez durante aquele mesmo dia. Ela olhou para trás e seus olhos encheram de lágrimas. Mas não teve coragem para voltar.

Deu um passo para trás. Viu um rapaz se aproximar do senhor. Ele pediu ajuda para indicar o ônibus, que vinha vindo. O rapaz deu sinal, o motorista esperou todos embarcarem, menos o senhor. Mais uma vez, o rosto resignado.

A moça não pôde ver se o senhor foi embora. Seu ônibus chegou, e ela resignadamente, foi para casa. Mas não sem antes olhar pela janela e desejar que ele chegasse em casa tão bem e seguramente como ela.

(Ainda com o coração apertado ao escrever isso…)

Sono 10 de fevereiro de 2009

Posted by Cássia Alves in Crônica.
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Caí no sono. Inevitável, o balanço do ônibus somado ao dia longo de trabalho iriam me vencer. Ainda somava-se o caminho extenso de mais de duas horas que me separa de casa. Esta era minha realidade até 2006, quando ainda morava com meus pais na zona sul paulistana, e estudando e trabalhando na zona oeste. Quantas vezes perdi o ponto…! Precisei uma vez até pegar táxi para voltar o caminho, pois estava no último ônibus da linha.

Hoje moro praticamente ao lado do trabalho. Passei por todas as dificuldades ao sair da “casa-de-mamãe”, abrindo mão de todas as regalias, mas o conforto de poder dormir as tão sonhadas oito horas por dia eram o mérito alcançado. Mas… será que é tão mérito assim dormir tudo isso? Um terço do dia, em que eu poderia fazer muito pela minha evolução profissional, pessoal e até mesmo social estando acordada? Conheço muita gente que pensa assim, e confesso que em determinados momentos concordo com isso.

Esses dias que vivemos exigem cada vez mais dos nossos organismos e mentes, mas sempre dentro das vinte e quatro horas. Como se fosse possível aumentar as tarefas e o tempo continuar assim, o mesmo. Mas você aí já não desejou que o dia tivesse trinta horas para que pudesse fazer tudo que precisa? E o descanso? Vai dizer que já não desejou poder ficar em casa dormindo em vez de enfrentar a jornada de trabalho? É, paradoxal, e muitos passam pelas duas dúvidas, um pouco mais de cada uma, dependendo do ramo de trabalho e da vontade de trabalhar.

Conheci homens de quase sessenta anos que dormiam quatro horas por noite para conseguir trabalhar o quanto gosta e precisa. Já conheci pessoas com menos da minha idade que fazem questão de suas doze horas de sono diárias.Eu adoro descansar e curtir a minha leseira, mas confesso que sou daqueles inquietos que precisam fazer algo pelo mundo para se sentir melhor. Ainda não sei como estarei daqui a alguns anos, se dormindo muito ou pouco, só sei que todas as vezes que precisar percorrer longas distâncias e não estiver dirigindo, o sono sempre será bem-vindo.

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